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Resenha: “O Futuro que Escolhemos” — Uma Leitura Necessária Sobre a Crise Climática

Um livro que apresenta dois futuros possíveis para o planeta com base científica, e que, surpreendentemente, deixa espaço para esperança.

Não é fácil escrever sobre mudanças climáticas de forma que as pessoas queiram continuar lendo.
O assunto carrega um peso enorme, dados assustadores, cenários distópicos, uma sensação de que o problema é grande demais para qualquer ação individual ou coletiva fazer diferença. A maioria das pessoas que se preocupa com o tema oscila entre a urgência paralisante e o otimismo forçado.
O Futuro que Escolhemos: Como Sobreviver à Crise Climática, de Christiana Figueres e Tom Rivett-Carnac, é uma das raras exceções. Um livro que leva a ciência a sério sem se tornar inacessível, e que encontra espaço para esperança sem ser ingênuo.
Continua sendo um dos livros que mais ficou comigo depois da leitura.

O Conceito Central: Dois Futuros


A estrutura do livro é simples e eficaz.
Os autores apresentam dois cenários futuros;

  • O primeiro: um mundo em que não conseguimos controlar as mudanças climáticas, ambientes inóspitos, recursos escassos, cidades parcialmente inabitáveis, uma civilização em modo de sobrevivência.
  • O segundo: um mundo em que prosperamos, adaptamos nosso modo de vida, revertemos parte dos danos, construímos sistemas mais resilientes e sustentáveis.


Soa como especulação. Mas não é. Cada cenário é construído com base em dados e estudos científicos reais, com referências bibliográficas completas no final do livro, o que permite que o leitor aprofunde qualquer tópico que quiser, seguindo a leitura além do próprio livro.
O que mais me surpreendeu foi o quanto os dois futuros parecem plausíveis. Não é ficção científica distante, são projeções baseadas em escolhas que estamos fazendo agora, em políticas que existem ou não existem, em tecnologias que estamos ou não implantando em escala.


O Que Torna Este Livro Diferente


Há muitos livros sobre mudanças climáticas. A maioria faz uma coisa bem e sacrifica outra: ou é rigoroso cientificamente e inacessível, ou é acessível e superficial. Ou é tão sombrio que deixa o leitor paralisado, ou tão otimista que parece desconectado da realidade.
O Futuro que Escolhemos navega esse equilíbrio melhor do que qualquer outro que li sobre o tema. Ele é:
Claro sem ser simplista. Os mecanismos das mudanças climáticas, os impactos projetados, as soluções disponíveis, tudo apresentado de forma que um leitor sem formação técnica consegue acompanhar, sem que um profissional da área sinta que está sendo subestimado.
Cada afirmação tem base científica, e as referências estão lá para quem quiser ir fundo. Mas a leitura flui, não parece um relatório técnico.
Esperançoso sem ser irresponsável. Este foi o ponto que mais me surpreendeu. Sou do time dos pessimistas por formação, trabalho com dados climáticos o suficiente para saber o quanto já perdemos. Mas o livro me fez reconhecer que progresso real já aconteceu, que soluções existem e estão sendo implementadas, e que o futuro ainda não está escrito.


Quem São os Autores


A credibilidade do livro começa por quem o escreveu.
Christiana Figueres é diplomata costa-riquenha e foi Secretária Executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). Foi figura central nas negociações do Acordo de Paris em 2015, considerado o acordo climático mais ambicioso já alcançado em escala global.
Tom Rivett-Carnac é estrategista britânico, cofundador da Global Optimism, organização dedicada a enfrentar a crise climática, e trabalhou como assessor sênior da UNFCCC, colaborando diretamente com Figueres nas negociações climáticas globais.
Não são observadores externos comentando sobre o problema. São pessoas que estiveram dentro do processo de tentar resolvê-lo, e que escolheram escrever um livro não sobre o que deu errado, mas sobre o que ainda é possível.


O Podcast: Outrage + Optimism


Para quem terminar o livro e quiser continuar a conversa, os autores mantêm o podcast Outrage + Optimism: Climate Change Podcast, que discute acontecimentos atuais e sua relação com as mudanças climáticas, notícias, políticas, avanços tecnológicos, conversas com outros especialistas.
O título é um bom resumo da proposta: indignação com o que está acontecendo, sem abrir mão do otimismo sobre o que é possível. É o mesmo equilíbrio do livro, em formato de áudio e atualizado continuamente.


Para Quem Eu Acredito Que Seja Este Livro


Para profissionais da área, arquitetura, engenharia, urbanismo, meio ambiente, etc. Para quem está fora da área técnica, é uma porta de entrada que não exige nenhum conhecimento prévio, e que provavelmente vai mudar a forma como você vê as notícias sobre clima. Para os pessimistas, e me incluo nessa categoria, é uma leitura que não pede que você abandone o realismo. Só que você olhe para o que já foi feito, além de para o que falta fazer.


Recomendo muito.

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